sábado, 12 de maio de 2018

Sociedade tóxica

Ultimamente tenho pensado no quão tóxica consegue ser a nossa sociedade.
Diz-se muito por aí que o papel de mãe é muito exigente e que os bebés exigem muito de nós, 24 horas por dia, 365 dias por ano. E é verdade que precisam de nós a tempo inteiro mas não são os bebés que são exigentes mas sim a sociedade. Temos que ser boas mães e estar sempre prontas para atender as necessidades dos nossos filhos, seja a que hora for e em que sítio for. Não importa se temos planos ou compromissos porque em primeiro lugar estão os bebés que precisam de ser alimentados, higienizados, consolados quando têm cólicas ou quando estão desconfortáveis e muito miminho. No entanto, para além disto, somos constantemente pressionadas para tudo. Temos que estar em forma porque se não dizem que estamos gordas e que não nos cuidamos. Temos que ter a casa limpa e arrumada porque se não somos umas preguiçosas e desorganizadas. Temos que ter leite para amamentar porque é o melhor para o bebé e se não o fizermos não somos tão boas mães como as que amamentam. E temos que estar sempre prontas e de “porta aberta” para receber visitas porque se não somos indelicadas.
Parece que temos sempre tudo e todos “em cima de nós” prontos para nos criticarem.

Dia da Mãe

Foi o meu primeiro dia da Mãe.
Finalmente pude viver este dia sem a tristeza que sentia. Sem me esconder e sem medo de entrar nas redes sociais repletas de fotos e dedicatórias às Mães. Este ano fui eu que publiquei fotos com os meus filhos nas redes sociais e mostrei o meu orgulho de ser Mãe ❤️❤️

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Os bebés não cansam!

É mesmo isto. Sem tirar nem por.

“O que cansa na maternidade não é o bebê, mas a falta de suporte para se dedicar a ele.

O que esgota não é estar disponível 24h por dia para atender as mamadas em livre demanda, mas ter que levantar, buscar bebê, colocar para arrotar, devolver ao berço. Várias vezes por dia e noite.

O que consome não é ficar à disposição de todas as necessidades do bebê, mas ter que viabilizar o suprimento de cada uma. Para o bebê ter leite, a mãe precisa se alimentar bem. Para ela se alimentar, a comida precisa ser comprada, trazida para casa, higienizada, cozida, colocada no prato, a sujeira deve ser limpa para começar tudo de novo na próxima refeição.

O que leva a mãe à exaustão não é o bebê que chora por cólica, frio, solidão ou sem motivos aparentes, mas a falta de amparo nessas horas. A falta de alguém para ouvir seus medos e pensar junto numa possível solução, alguém que diga que está tudo bem ou que oriente, e a acompanhe, a um atendimento médico.

O que faz a mãe se sentir culpada não é o turbilhão de hormônios que alteram seu humor e a fazem se sentir péssima, mas é a falta de oportunidade de se dedicar a si mesma, ao relacionamento, aos Hobbies, aos outros filhos, se for o caso, e ao próprio bebê. A cascata de funções enxurra a cabeça da mãe e, obviamente, ela não dá conta de tudo. A casa precisa ser limpa, roupas lavadas, os filhos cuidados, entretidos, educados, o relacionamento precisa ser regado, a mulher precisa dormir, tomar banho, ficar em silêncio, ler um livro.t

O que cansa na maternidade é NÃO TER apoio. É não ter quem segure o bebê para que ela tenha seu momento, não ter quem providencie os demais cuidados, não ter quem se responsabilize por suas outras atribuições. Então ela se cobra. E quem ganha a má fama é o bebê.

Tudo o que o bebê quer, e precisa, é ficar com a sua mãe. Que feliz seria se ela pudesse apenas se dedicar a este momento de maternagem com all-inclusive.”

Texto de Renata Senna Doula

quarta-feira, 2 de maio de 2018

As Visitas

Quando nasce um bebé todos querem visitar e conhecer de imediato. Muitas vezes, não importa se os pais estão cansados ou se já estão com outras visitas. Então quando nascem dois, mais pressa têm! Porque é raro, porque é novidade e porque acham giro.

Felizmente os nossos amigos foram muito compreensivos e respeitaram o nosso momento. Tivemos uma ou outra visita de amigos ainda no hospital mas porque fomos nós a dizer que podiam ir. Outros vieram cá a casa mas pediram para sermos nós a informar qual o dia e a hora mais conveniente. Alguns pegaram neles ao colo porque oferecemos, outros não quiserem pegar por receio de não saberem 😂 E a maioria não nos chateia com palpites porque ainda não tiveram filhos e por isso não percebem nada do assunto. Estou agradecida pelo bom senso dos nossos amigos 🙏 Foram realmente muito respeitadores.

Mas da família não se pode dizer o mesmo. Aparecem sem avisar ou avisam 10 minutos antes a informar (sim! Informar!) que estão a chegar, trazem crianças e ficam horas! E nós, em vez de descansarmos, temos que fazer sala, repreender os filhos das visitas por quererem espicaçar os bebés 😡 e por vezes, servir o almoço ou o lanche. É verdade, existem mesmo familiares que aparecem para almoçar! E não, não trazem o almoço. Estão a imaginar o cenário? Acreditem, tratar de dois recém-nascidos e ainda manter a casa minimamente apresentável é possível mas não sobra tempo para cozinhar e servir almoçaradas e jantaradas. 
Ainda no hospital, tive um dia daqueles em que só me apetecia expulsar toda a gente do quarto, trancar a porta e desligar o telemóvel. Era Domingo. Os avós e tios que estão longe e com os quais há muito pouco contacto, apareceram em bando logo de manhã, trouxeram amigos que não conhecemos de lado nenhum e só saíram de lá à noite. Estiveram o tempo todo a tirar fotos a mim e aos bebés, sem parar. Falavam uns com os outros sobre a vida deles e não saiam dali. São avós e tios (exceto os acompanhantes estranhos) e têm todo o direito de conhecer os bebés, claro, mas só faltava levarem as cartas e o garrafão de vinho para transformar aquilo num tasco de convívio. 
Desde que nasceram estive sempre bem disposta e muito feliz por ser mãe mas naquele dia quase que perdi as estribeiras. Senti-me violada! Sim, violada é a palavra que melhor define o que senti. Foi complicado estar vulnerável e receber tanta gente ao mesmo tempo, nomeadamente pessoas que não conhecia de lado nenhum. Ainda por cima homens! O marido não teve coragem para pedir que saíssem com receio que ficassem ofendidos. Por isso tive mesmo que sair do quarto, dar uma volta pelos corredores e respirar fundo para não ter um ataque de choro. Foi aí que a enfermeira ao perceber ao meu desespero foi ao quarto pedir delicadamente que saíssem porque os pais e os bebés precisavam mesmo de descansar. Isto às 8 horas da noite. Abençoada enfermeira! 🙏

Em casa, a saga continuou. Felizmente acalmou a correria e podemos curtir mais tranquilamente esta nova fase das nossas vidas a 5 😊 👩🏻👦🏻👶🏻👶🏻🐶

Por favor, se amigos e familiares de futuros pais estiverem a ler isto tenham em conta que os pais precisam mesmo que respeitem este momento.
Ficam aqui algumas dicas:
- Avisem SEMPRE com antecedência! Perguntem quando é mais oportuno fazer a visita. Acreditem, por muito adorados que se sintam, não vão achar graça nenhuma à vossa visita surpresa.
- Façam visitinhas rápidas para verem o bebé e felicitar os pais. Não para irem tagarelar. Meia horinha está bom.
- Guardem os palpites e as críticas!
- Nada de comentários ao aspeto físico da mãe que está a recuperar de uma gravidez e de um parto. Caso o façam, tenham noção que se arriscam a ser odiados para o resto das vossas vidas!
- Se tiverem crianças, o ideal é que não as levem. Mas se tiver mesmo que ser, controlem-nas! Muitas crianças gostam de espicaçar os bebés porque é mais fixe vê-los acordados e até a chorar.
- Fotos só se os pais autorizarem e duas ou três já chega. Nada de tirar 300 e tal fotos como fizeram comigo. Ah! E a mãe dispensa que lhe tirem fotos a ela, daquelas sem contar, principalmente nos dias em que ainda está na hospital 😒 Barriga inchada, cara de bolacha Maria e olheiras não ficam bem no vosso álbum de Fotos. Se a mãe concordar, tirem fotos mas avisem antes para que possa fazer uma pose 😌
- Gente, se for hora de amamentar, simplesmente BAZEM! Algumas mães não se importam de amamentar em público mas outras gostam de privacidade e de curtir esse momento a sós com o bebé e com o pai. Respeitem e ponham-se a andar!
Uma mulher que acaba de ser mãe continua a ser uma mulher e tem direito à sua privacidade. Não é por ser mãe que tem que andar com as maminhas de fora à frente de toda a gente e receber as visitas de pijama.


domingo, 29 de abril de 2018

Pós-parto

Sempre ouvi dizer que o parto por cesariana não era de fácil recuperação e que era mais difícil para o corpo recuperar a sua forma. Faz sentido, afinal estamos a falar de uma cirurgia invasiva na zona abdominal. Por isso sempre pensei que a recuperação fosse dolorosa e um bocadinho incapacitante nos primeiros dias, algo que me preocupava, tendo em conta que ia ter dois bebés para cuidar!
Como iria conseguir cuidar deles? E como iria receber as visitas? Na cama, com ar de doente e voz arrastada? Coitado do marido! No hospital teríamos ajuda das enfermeiras. Mas como seria em casa? Teria que cuidar dos dois bebés sozinho, cuidar de mim e ainda receber as visitas! 😮
Que drama! Nada disso!
As dores são bem controladas com medicação e a recuperação não é assim tão má. Até achei bem rápida. Aquilo que sentia era algo como quando fazemos muitos abdominais e no dia seguinte ficamos doridas .
No final do primeiro dia, quis começar a cuidar dos meus bonequinhos. No dia seguinte tomei banho e vesti-me sozinha. A partir daí foi sempre a melhorar.
A única coisa que me chateou (e chateou a sério!) foi a pele da barriga que parecia assada de tão sensível que estava! Pior fiquei quando me tiraram o penso maior (tinha um pequeno na cicatriz e outro maior por cima) e saiu a pele agarrada. Sim, leram bem. O penso arrancou-me pele! E estou a escrever isto toda encolhida só de me lembrar 😣 Ainda hoje sinto, de vez em quando, um leve ardor. Mas isto nada teve a ver com a cesariana.
Quanto à forma física, até que a coisa não está muito má. Engordei 17kg durante a gravidez. Faltam 3kg para o peso que tinha antes. A barriga é que está longe de estar na sua forma original mas tendo em conta que fiz grande barrigão não está muito mal. E uns vestidos giros disfarçam o que está a mais.
A maioria das pessoas tem elogiado o meu aspeto físico mas algumas fazem uns comentários inconvenientes. Não entendo muito bem o que leva uma pessoa a dizer a alguém que foi mãe há tão pouco tempo (e de gémeos!) que convém emagrecer porque está gorda. Ou que está com barriga (a sério??). Há dias, uma pessoa da família que quis ver os meus bonequinhos, disse que eu estava muito gorda e até me comparou a um elefante!! 🐘 😮 Isto foi dito na presença de outras pessoas da família e amigos da família. Ficou tudo meio calado, uns a olhar para mim e outros a olhar para o chão. E eu fiquei sem resposta, sem saber como reagir de tão miserável, envergonhada e triste que me senti. Saí de lá com ar de Dumbo quando foi separado da mãe.

No dia 17 tive consulta com a Dra. F e parece estar tudo ok, exceto um coágulo que ainda está no útero. Em princípio sairá sozinho. Se não sair, tenho que fazer histeroscopia. Logo se vê...


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Aqueles momentos...

... que não se esquecem.

No dia do parto, ao final da tarde, a minha mãe foi embora e o marido teve que se ausentar por cerca de 1 hora e meia.
Deixaram os bebés na minha cama, ao meu lado.

“Sou eu, a vossa Mãe”.
Abracei-os e apreciei aquele silêncio com pequenos e confortáveis barulhinhos de bebé.
E ali, eu e os meus bonequinhos ficamos sozinhos, num momento tão só nosso ❤️❤️

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Parto

No dia 16 de Março cheguei ao hospital por volta das 7h30 da manhã. Tudo muito calmo. Ainda não estava nervosa. Instalaram-me no quarto 315 onde já tinha 2 bercinhos para receber as novas pessoinhas 😊
Tirei a última selfie grávida para me despedir da minha barriga (que saudades 😭) e a seguir vesti a batinha e aguardei que me levassem para o bloco operatório.

Assim que cheguei ao bloco comecei a ficar nervosa. Será que a epidural ía doer? Será que ía correr tudo bem? Será que os bebés estavam bem?
O anestesista, muito simpático e atencioso, apresentou-se e explicou como seria o procedimento. Sentei-me na marquesa e respirei fundo. Foi um procedimento um bocado demorado mas não doeu nada. Assim que terminou, deitaram-me de costas e o marido pode entrar e ficou ao meu lado. Estava tão nervosa que mal falava. Além disso, sentia algumas tonturas e tremia muito, embora me sentisse quente.
As Dras. F’s (bela dupla) já estavam prontas. Comecei a sentir uns abanões na barriga. De repente toda a equipa desata a rir ao mesmo tempo que ouço um choro de recém-nascido. “Eh lá! Este vai ser do Porto (FCP)!” Era o meu menino que já estava cá fora! 😮 Pelos vistos, mal veio ao mundo agarrou-se a um fio azul com força e não o queria largar 😄 Baixaram o pano para me mostrarem, encostaram-no a minha cara e levaram-no logo para ser observado. Tão pequenino! “Olha”, disse o marido com um tom de voz muito doce enquanto me fazia uma festinha, “Vês? O menino até te trouxe cheesecake de morango e tudo!” O anestesista achou muita graça e riu-se. O “cheesecake” era bocadinhos de vernix, aquela coisa que parece manteiga, e sangue que ficou na minha cara 😄
Mal me recompus daquela emoção de ver o meu  filho e já me estão a mostrar a minha menina, tão bolachudinha!
Entretanto o marido foi ver os nossos filhotes a serem limpos, pesados, avaliados e vestidos enquanto me arranjavam as entranhas. Apareceu novamente com os dois no colo já vestidinhos e aconchegados nas mantinhas e as enfermeiras tiraram-nos muitas fotos 😊
Os dois nasceram saudáveis e bem espevitados, apesar da grande diferença de peso e tamanho entre eles. Felizmente nenhum precisou de ir para a incubadora.
Ele com 42.50cm e 1.993kg
Ela com 48.50cm e 2.950kg

E assim de repente passamos a ser uma família de 4. Por muitos anos que viva nunca me vou esquecer deste dia tão especial ❤❤