terça-feira, 22 de maio de 2018

Como é cuidar de dois?

A pergunta que todos me fazem: “E então? Como é cuidar de dois bebés?”, “Está a correr bem?”
Ora, cuidar de dois é... sei lá, cuidar de dois! Estão a ver o que é cuidar de um? Pronto, é isso tudo mas a dobrar. Se é difícil? Não considero que seja difícil. É cansativo, sim. Mas não é difícil, as coisas fazem-se. E posso dizer-vos que o faço sozinha a maior parte do tempo.

O banho
Dou banho no quartinho deles que é onde tenho tudo à mão. Aqueço o quarto, ponho tudo pronto para os dois (roupas e toalhas) e levo a banheira com a água à temperatura ideal. Deito um num dos berços, enquanto dou banho ao outro. Quando termino, mudo a água e troco de bebé 😄 O primeiro vai para o berço e outro vai para o banho.

As mamadas
Neste momento já só bebem leite adaptado (falarei sobre isso noutro post). Preparo os dois biberões, deito-os lado a lado, inclinados de forma a ficarem mais levantadinhos e dou o biberão aos dois ao mesmo tempo. Depois é fazê-los arrotar, um de cada vez, claro.

Durante a noite
Para me facilitar a vida e porque a nossa casa tem dois pisos, levo os biberões, água aquecida num termo e as doses do pó para cada um no doseador. Assim tenho tudo à mão prontinho para preparar o leitinho durante a noite.

Apesar de serem irmãos gémeos não podiam ser mais diferentes um do outro. Em tudo!
Ele tem pele muito clarinha, cabelo clarinho e olhinhos que neste momento parecem azuis.
Ela é moreninha, cabelo escurinho e olhinhos escuros.
Claro que a cor dos olhos e do cabelo mudam nos primeiros anos de vida mas neste momento são assim. E o temperamento deles também não poderia ser mais diferente. A B. é uma bebé muito calminha, quase nunca chora, só mesmo uns choramingos para reclamar quando tem fome ou quando quer a chupeta. E claro, quando tem cólicas que felizmente são poucas. Nunca chorou por mudar a fralda nem por tomar banho. É aquela bebé que não precisamos de adormecer no colo. Deito-a e ela fica calminha e adormece sozinha. Durante a noite dá muito jeito que seja assim! Até o choro dela é bom de ouvir, é engraçado. Parece mesmo que está a ralhar 😆
O D. é um bebé que não sendo difícil, é mais chorão que a irmã. Até há poucas semanas chorava sempre que lhe mudávamos a fralda. No banho só se acalma quando o viro de barriga para baixo. Está visto que não gosta de se higienizar este miúdo 😝 Também se aborrece por estar sozinho e é mais dependente de colinho, embora esteja a aprender a ficar calminho quando não está no colo. O problema é que quando chora, minha gente, parece que engoliu uma sirene! Ah pulmões fortes!
Mas no geral, posso dizer que tenho dois bebés fáceis. Dormem bem, comem bem e à noite não chateiam muito. Têm algumas cólicas de vez em quando mas isso faz parte. E felizmente nunca atacam durante a noite.

Temos um casal amigo que teve uma bebé que nasceu poucos dias depois dos nossos e queixam-se que estão os dois exaustos e que não têm tempo para nada. Outros casais que conhecemos, disseram que tiveram que se mudar para casa dos pais/sogros temporariamente porque precisavam de ajuda para cuidar do bebé. No meu caso, cuido dois dois sozinha a maioria do tempo. Ao final do dia, o pai chega e ajuda. Fazemos o jantar ou compramos a comida já feita, depende. Também há tempo para tratar das roupas e da casa e de nós. As únicas mudanças que fizemos foi mandar a nossa roupa para passar fora. É só por a lavar e secar e depois mandamos para a senhora que passa a ferro. As roupinhas deles trato eu sozinha. E também temos uma senhora que vem 1 vez por semana fazer a limpeza semanal.

Portanto, da minha experiência, cuidar de gémeos é assim.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

2 meses

No dia 16 de Maio, os meus bonequinhos completaram 2 meses ❤️❤️
Estão cada vez mais fofinhos e eu estou cada vez mais apaixonada por eles! 😍

Já vos disse que adoro ser Mãe?

sábado, 12 de maio de 2018

Nostalgia

Parece que ainda ontem cheguei com os meus pequeninos a casa pela primeira vez. Que emoção! Começamos uma nova vida. E a verdade é que já passaram 8 semanas.
Esta semana estive a separar as roupinhas que já não lhes servem e senti-me tão nostálgica! Olhei para aqueles babygrows de prematuro (tamanho 44) que o marido foi comprar logo no segundo dia e aí é que me caiu a ficha. Tão pequenino que o meu menino era. E tão crescidinho que ele está! E a minha menina que vestia aqueles babygrows de tamanho 0 e que agora já não lhe servem. Não podia estar mais feliz por vê-los a crescer e a desenvolver tão bem mas não deixa de ser assustador a rapidez com que o tempo passa.
No dia 30 de Abril, com 6 semanas e 3 dias tivemos consulta com o pediatra. A B. pesava 3.850kg e media 53cm e o D. pesava 3.450kg e media 49cm. Ele está a crescer a um ritmo mais rápido que ela. Nasceram com diferença um do outro de 1 quilo e 6 centímetros. Nesse dia já estavam com diferença de 400g e 4 centímetros. Daqui a pouquinho estão do mesmo tamanho! Estava tudo ótimo e estão os dois a crescer muito bem 😊
Foi também nessa semana que sorriram intencionalmente para nós! Não há palavras para descrever a alegria e a emoção que é ver aqueles sorrisos lindos ❤️❤️ É maravilhoso!
É lindo ver os nossos filhos crescerem. Sinto-me me muito agradecida e abençoada por poder ser mãe  de dois bebés maravilhosos 🙏🙏

Sociedade tóxica

Ultimamente tenho pensado no quão tóxica consegue ser a nossa sociedade.
Diz-se muito por aí que o papel de mãe é muito exigente e que os bebés exigem muito de nós, 24 horas por dia, 365 dias por ano. E é verdade que precisam de nós a tempo inteiro mas não são os bebés que são exigentes mas sim a sociedade. Temos que ser boas mães e estar sempre prontas para atender as necessidades dos nossos filhos, seja a que hora for e em que sítio for. Não importa se temos planos ou compromissos porque em primeiro lugar estão os bebés que precisam de ser alimentados, higienizados, consolados quando têm cólicas ou quando estão desconfortáveis e muito miminho. No entanto, para além disto, somos constantemente pressionadas para tudo. Temos que estar em forma porque se não dizem que estamos gordas e que não nos cuidamos. Temos que ter a casa limpa e arrumada porque se não somos umas preguiçosas e desorganizadas. Temos que ter leite para amamentar porque é o melhor para o bebé e se não o fizermos não somos tão boas mães como as que amamentam. E temos que estar sempre prontas e de “porta aberta” para receber visitas porque se não somos indelicadas.
Parece que temos sempre tudo e todos “em cima de nós” prontos para nos criticarem.

Dia da Mãe

Foi o meu primeiro dia da Mãe.
Finalmente pude viver este dia sem a tristeza que sentia. Sem me esconder e sem medo de entrar nas redes sociais repletas de fotos e dedicatórias às Mães. Este ano fui eu que publiquei fotos com os meus filhos nas redes sociais e mostrei o meu orgulho de ser Mãe ❤️❤️

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Os bebés não cansam!

É mesmo isto. Sem tirar nem por.

“O que cansa na maternidade não é o bebê, mas a falta de suporte para se dedicar a ele.

O que esgota não é estar disponível 24h por dia para atender as mamadas em livre demanda, mas ter que levantar, buscar bebê, colocar para arrotar, devolver ao berço. Várias vezes por dia e noite.

O que consome não é ficar à disposição de todas as necessidades do bebê, mas ter que viabilizar o suprimento de cada uma. Para o bebê ter leite, a mãe precisa se alimentar bem. Para ela se alimentar, a comida precisa ser comprada, trazida para casa, higienizada, cozida, colocada no prato, a sujeira deve ser limpa para começar tudo de novo na próxima refeição.

O que leva a mãe à exaustão não é o bebê que chora por cólica, frio, solidão ou sem motivos aparentes, mas a falta de amparo nessas horas. A falta de alguém para ouvir seus medos e pensar junto numa possível solução, alguém que diga que está tudo bem ou que oriente, e a acompanhe, a um atendimento médico.

O que faz a mãe se sentir culpada não é o turbilhão de hormônios que alteram seu humor e a fazem se sentir péssima, mas é a falta de oportunidade de se dedicar a si mesma, ao relacionamento, aos Hobbies, aos outros filhos, se for o caso, e ao próprio bebê. A cascata de funções enxurra a cabeça da mãe e, obviamente, ela não dá conta de tudo. A casa precisa ser limpa, roupas lavadas, os filhos cuidados, entretidos, educados, o relacionamento precisa ser regado, a mulher precisa dormir, tomar banho, ficar em silêncio, ler um livro.t

O que cansa na maternidade é NÃO TER apoio. É não ter quem segure o bebê para que ela tenha seu momento, não ter quem providencie os demais cuidados, não ter quem se responsabilize por suas outras atribuições. Então ela se cobra. E quem ganha a má fama é o bebê.

Tudo o que o bebê quer, e precisa, é ficar com a sua mãe. Que feliz seria se ela pudesse apenas se dedicar a este momento de maternagem com all-inclusive.”

Texto de Renata Senna Doula

quarta-feira, 2 de maio de 2018

As Visitas

Quando nasce um bebé todos querem visitar e conhecer de imediato. Muitas vezes, não importa se os pais estão cansados ou se já estão com outras visitas. Então quando nascem dois, mais pressa têm! Porque é raro, porque é novidade e porque acham giro.

Felizmente os nossos amigos foram muito compreensivos e respeitaram o nosso momento. Tivemos uma ou outra visita de amigos ainda no hospital mas porque fomos nós a dizer que podiam ir. Outros vieram cá a casa mas pediram para sermos nós a informar qual o dia e a hora mais conveniente. Alguns pegaram neles ao colo porque oferecemos, outros não quiserem pegar por receio de não saberem 😂 E a maioria não nos chateia com palpites porque ainda não tiveram filhos e por isso não percebem nada do assunto. Estou agradecida pelo bom senso dos nossos amigos 🙏 Foram realmente muito respeitadores.

Mas da família não se pode dizer o mesmo. Aparecem sem avisar ou avisam 10 minutos antes a informar (sim! Informar!) que estão a chegar, trazem crianças e ficam horas! E nós, em vez de descansarmos, temos que fazer sala, repreender os filhos das visitas por quererem espicaçar os bebés 😡 e por vezes, servir o almoço ou o lanche. É verdade, existem mesmo familiares que aparecem para almoçar! E não, não trazem o almoço. Estão a imaginar o cenário? Acreditem, tratar de dois recém-nascidos e ainda manter a casa minimamente apresentável é possível mas não sobra tempo para cozinhar e servir almoçaradas e jantaradas. 
Ainda no hospital, tive um dia daqueles em que só me apetecia expulsar toda a gente do quarto, trancar a porta e desligar o telemóvel. Era Domingo. Os avós e tios que estão longe e com os quais há muito pouco contacto, apareceram em bando logo de manhã, trouxeram amigos que não conhecemos de lado nenhum e só saíram de lá à noite. Estiveram o tempo todo a tirar fotos a mim e aos bebés, sem parar. Falavam uns com os outros sobre a vida deles e não saiam dali. São avós e tios (exceto os acompanhantes estranhos) e têm todo o direito de conhecer os bebés, claro, mas só faltava levarem as cartas e o garrafão de vinho para transformar aquilo num tasco de convívio. 
Desde que nasceram estive sempre bem disposta e muito feliz por ser mãe mas naquele dia quase que perdi as estribeiras. Senti-me violada! Sim, violada é a palavra que melhor define o que senti. Foi complicado estar vulnerável e receber tanta gente ao mesmo tempo, nomeadamente pessoas que não conhecia de lado nenhum. Ainda por cima homens! O marido não teve coragem para pedir que saíssem com receio que ficassem ofendidos. Por isso tive mesmo que sair do quarto, dar uma volta pelos corredores e respirar fundo para não ter um ataque de choro. Foi aí que a enfermeira ao perceber ao meu desespero foi ao quarto pedir delicadamente que saíssem porque os pais e os bebés precisavam mesmo de descansar. Isto às 8 horas da noite. Abençoada enfermeira! 🙏

Em casa, a saga continuou. Felizmente acalmou a correria e podemos curtir mais tranquilamente esta nova fase das nossas vidas a 5 😊 👩🏻👦🏻👶🏻👶🏻🐶

Por favor, se amigos e familiares de futuros pais estiverem a ler isto tenham em conta que os pais precisam mesmo que respeitem este momento.
Ficam aqui algumas dicas:
- Avisem SEMPRE com antecedência! Perguntem quando é mais oportuno fazer a visita. Acreditem, por muito adorados que se sintam, não vão achar graça nenhuma à vossa visita surpresa.
- Façam visitinhas rápidas para verem o bebé e felicitar os pais. Não para irem tagarelar. Meia horinha está bom.
- Guardem os palpites e as críticas!
- Nada de comentários ao aspeto físico da mãe que está a recuperar de uma gravidez e de um parto. Caso o façam, tenham noção que se arriscam a ser odiados para o resto das vossas vidas!
- Se tiverem crianças, o ideal é que não as levem. Mas se tiver mesmo que ser, controlem-nas! Muitas crianças gostam de espicaçar os bebés porque é mais fixe vê-los acordados e até a chorar.
- Fotos só se os pais autorizarem e duas ou três já chega. Nada de tirar 300 e tal fotos como fizeram comigo. Ah! E a mãe dispensa que lhe tirem fotos a ela, daquelas sem contar, principalmente nos dias em que ainda está na hospital 😒 Barriga inchada, cara de bolacha Maria e olheiras não ficam bem no vosso álbum de Fotos. Se a mãe concordar, tirem fotos mas avisem antes para que possa fazer uma pose 😌
- Gente, se for hora de amamentar, simplesmente BAZEM! Algumas mães não se importam de amamentar em público mas outras gostam de privacidade e de curtir esse momento a sós com o bebé e com o pai. Respeitem e ponham-se a andar!
Uma mulher que acaba de ser mãe continua a ser uma mulher e tem direito à sua privacidade. Não é por ser mãe que tem que andar com as maminhas de fora à frente de toda a gente e receber as visitas de pijama.