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quinta-feira, 19 de maio de 2016
A Endometriose destrói-nos
Eu até diria melhor: "A Endometriose destrói o corpo e rouba os sonhos".
Esta doença que é tão desvalorizada pela sociedade e até pela comunidade médica, atirou com o meu projeto de vida pelo cano abaixo. O meu projeto de vida... que é tão simples, tão banal e tão puro: ter filhos. Não é ser famosa, não é ser rica, não é ter uma carreira profissional brilhante ou dar a volta ao mundo. É simplesmente ser Mãe! Conhecer esse amor tão forte, tão puro e incondicional que para a maioria é tão simples e fácil, para mim é algo distante e inalcansável.
Vivo prisioneira no meu próprio corpo com um sonho trancado num baú.
Espero um dia conseguir encontrar a chave que abre esse baú...
quarta-feira, 27 de abril de 2016
10 comentários infelizes sobre (in)fertilidade
Não sei se convosco também é assim mas comigo o "massacre" das pessoas acerca deste assunto era constante. E digo "era" porque ao longo deste tempo fartei-me de tal maneira dos comentários infelizes e das perguntas indiscretas que comecei a adotar algumas medidas para me proteger. Car@lho! Em cada almoço de família a pergunta era sempre a mesma "E bebés, para quando?". Cruzava-me com alguém conhecido na rua e lá vinha a pergunta "E o bebé já vem a caminho?". Até aquelas "amigas" que estão fartas de saber que tenho a maldita da endometriose, de saber que conseguir uma gravidez é algo difícil e complexo e saber que o assunto é emocionalmente delicado para mim, não se inibiam de perguntar todos os meses "Então, já estás grávida?" E o pior é que perguntavam isto com aquele sorriso palerma estampado na cara! Eh pá! Dava-me uma camada de nervos que só me apetecia manda-las para o Car... ATCHIM! Ai... desculpem... um pêlo no nariz fez-me espirrar de repente. Onde é que eu ia? Ah sim! Apetecia-me logo manda-las para o Caribe de férias para ver se se distraíam e deixavam de fazer perguntas indelicadas!
Cansei de responder "Para já não, mais tarde" ou "quando tivermos a vida mais organizada" ou "quando vier vem". Então, experimentei "abrir o jogo" e explicar que estavamos com problemas para engravidar e é aí que começam os verdadeiros comentários infelizes... Como sou pouco tolerante ao preconceito e à indelicadeza, logo comecei a dar respostas como "Não posso ter filhos. Não quero falar disso e agradeço que respeitem." Foi (quase) remédio santo e a maioria deixou-me em paz. Sei que falam do assunto na minha ausência mas pelo menos não me fodiam a cabeça.
Atenção, sei que muitas vezes as pessoas não o fazem por mal. Infelizmente, não passa pela cabeça de muita gente que um casal jovem e aparentemente saudável não consiga ter filhos, mesmo tendo aquela doença estranha chamada endoqualquercoisa que os médicos dizem não ser grave e que "quando engravidar isso passa". Infelizmente a sociedade não está consciencializada deste problema. Mas temos que admitir que estes comentários são, na sua maioria, fruto de muita ignorância, indelicadeza e preconceito à mistura.
Com isto, consegui reunir numa lista alguns comentários típicos sobre o assunto, alguns que tive a infelicidade de ouvir, outros, que colegas de guerra partilharam comigo.
1 - Porque não adotas? Há muitas crianças abandonadas à espera de uma família.
Gente, acham mesmo que estão a dar uma grande novidade como se fosse uma solução eficaz?
Sim, a adoção pode ser uma alternativa. Mas por favor, não dêem esta sugestão como se fosse a decisão mais fácil do mundo porque não é. Não falem da adoção como se fosse fácil abdicar de um filho biológico. Não falem de adoção como se fosse fácil abdicar de todo o processo de gravidez! E por último, não falem de adoção como se fosse algo simples e rápido como se se tratasse de ir a uma loja comprar um cachorrinho, em que escolhemos o mais giro e fofo, pagamos e trazemos para casa. Não é assim que funciona! Antes disso, o casal provavelmente quererá esgotar todos os recursos possíveis para ter um filho biológico. Caso não aconteça, aí sim, poderá ponderar a adoção, mas antes precisa fazer o luto da situação. Além disso, o processo de adoção é longo, podendo demorar vários anos, e emocionalmente desgastante.
Não é bem verdade quando se diz por aí que há muitas crianças abandonadas à espera de uma família. Há sim muitas crianças institucionalizadas, mas aptas para adoção não há assim tantas.
Obviamente que nem todos vêem a adoção da mesma maneira. Há casais que só recorrem à mesma em último recurso, outros preferem esta opção em vez dos tratamentos de PMA, outros querem adotar independentemente de terem ou não filhos biológicos e outros não querem adotar, seja qual for a circunstância. De qualquer maneira, respeitem o casal e não sugiram a adoção, como se fosse algo simples e banal, quando o casal tenta desesperadamente ter um filho biológico.
2 - Isso é da ansiedade. Basta relaxar e vais ver que engravidas logo.
A sério? Depois de tantos médicos e exames vocês, espertinhos, descobriram a causa! A ansiedade! Oh gente, pelamordedeus! Informem-se antes de fazerem este tipo de comentários. A ansiedade pode ser algo bem chato e pode causar alguns sintomas físicos, quando ultrapassa a ansiedade normal e se torna patológica. Mas não causa infertilidade. Por favor, não digam a um casal com um diagnóstico de endometriose, um diagnóstico de azoospermia, um diagnóstico de Síndrome do Ovário Poliquístico ou um diagnóstico de Falência Ovárica Precoce que o problema deles é a ansiedade! Se assim fosse não seriam necessários procedimentos caros e complexos, bastando apenas um simples e barato ansiolítico.
3 - Vão de férias que quando chegares cá já estás grávida.
Aaaiiii... quem me dera que isto fosse verdade. Em vez de gastar uns 4 ou 5 mil euros num tratamento de PMA, eu ía adorar pegar nesse dinheiro e ir antes a uma agência de viagens comprar um pacote Especial Fertilidade - All Inclusive nas ilhas Maldivas! Quem é que precisa de auto-injetar hormonas artificiais, ecografias e fertilizações in vitro quando pode ir de férias para um local exótico?
4 - Se não consegues engravidar é porque Deus não quer.
Confesso que esta é das que mais me irrita e entristece. E talvez aquela que mais revela a ignorância humana! Obrigadinha por acharem que Deus nos considera de tal maneira horríveis que não quer que sejamos mães. Mas então e aqueles casos, de mulheres que engravidam e fazem IVG só porque sim? E aquelas que têm os filhos e os maltratam, matam e abandonam? Deus enganou-se no ventre?
5 - Eu faço um bebé a mais e dou-te.
Até parece que estão a falar de um cabo de cebolas que têm a mais e que podem dispensar. Céus! Agradeço a grandiosa generosidade mas dispenso. Caso não tenhas reparado, eu não quero um filho teu, quero um filho meu e do meu marido.
6 - Deixa lá. Há coisas bem piores na vida.
Para ti, talvez. Mas para mim, que a única coisa que sempre quis na vida foi ser mãe, não há nada, repito NADA, pior! Se não tenho a única coisa que sempre quis, o que pode haver de pior? Para alguém que sempre sonhou ser um jogador de futebol de sucesso e desde pequeno lutou e fez por isso, não deve haver nada pior do que ter uma grave rotura de ligamentos ou outra lesão que o impeça de jogar futebol.
E não sejam baixos ao ponto de dizer: "podia ser pior, podias ter um cancro!". Sim? Também dizem a alguém que acabou de amputar uma perna "deixa lá, podia ser pior. Podias ter de amputar as duas." ... o problema é que eu sei que há gente estúpida o suficiente para o dizer...
7 - Não sabes a sorte que tens. Podes gozar a vida à vontade. Se eu sabia não os tinha tido.
E vem esta gente falar de boca cheia! Haja paciência... Sorte? Por desejar muito um filho e não poder? Por ter que fazer tratamentos invasivos? Por ter de abdicar de muitas coisas para poder pagar um tratamento? Se isso é sorte não quero imaginar o que é o azar! Então quando a causa é uma doença como endometriose, este comentário ainda se torna mais parvo e infeliz. Enfim...
8 - Tens a certeza que queres ter filhos? Olha que dão muito trabalho e muita despesa.
Não me digam! A sério que dão trabalho e despesa? Não fazia ideia! Perguntar a uma pessoa que já fez uma série de procedimentos chatos e dolorosos se tem a certeza que quer ter filhos é um bocado mau, não? Quanto à despesa, essa até dá para rir. Querem mesmo debater o preço das fraldas com alguém que já gastou milhares de euros com um filho que ainda nem existe?
9 - Mas vocês fazem sexo?
Eh pá... Esta é tão estúpida mas tão estúpida que eu acho que nem vale a pena comentar. À frente...
10 - Vais querer um filho feito em laboratório? A criança não pode nascer com problemas? E vai ser parecido com quem?
Ainda há quem ache que os bebés concebidos com ajuda da medicina são inventados em laboratório assim do nada. Lol! Não sei qual é a ideia que as pessoas têm sobre a conceção mas os bebés concebidos com ajuda da medicina de reprodução, tal como os bebés concebidos de forma natural, são fruto da união de um óvulo e de um espermatozóide. Ok? E, em ambos os casos, serão parecidos com a mãe e/ou pai, eventualmente com avós e tios. Quanto a possíveis problemas que a criança possa vir a ter, são exatamente os mesmos que uma criança concebida de forma natural. Isso pode acontecer e ninguém pode prever.
Fica aqui o apelo aos saudáveis/férteis: Não façam comentários infelizes nem perguntas indelicadas. Não sejam inconvenientes! Respeitem as pessoas que passam por esta situação e dêem-se ao respeito! Não sabem se um dia, vocês próprios ou os vossos filhos, também poderão vir a passar por uma situação idêntica.
Aos que estão na mesma situação que eu, lembrem-se: não são os únicos que lidam com estes comentários chatos e embaraçosos.
Cansei de responder "Para já não, mais tarde" ou "quando tivermos a vida mais organizada" ou "quando vier vem". Então, experimentei "abrir o jogo" e explicar que estavamos com problemas para engravidar e é aí que começam os verdadeiros comentários infelizes... Como sou pouco tolerante ao preconceito e à indelicadeza, logo comecei a dar respostas como "Não posso ter filhos. Não quero falar disso e agradeço que respeitem." Foi (quase) remédio santo e a maioria deixou-me em paz. Sei que falam do assunto na minha ausência mas pelo menos não me fodiam a cabeça.
Atenção, sei que muitas vezes as pessoas não o fazem por mal. Infelizmente, não passa pela cabeça de muita gente que um casal jovem e aparentemente saudável não consiga ter filhos, mesmo tendo aquela doença estranha chamada endoqualquercoisa que os médicos dizem não ser grave e que "quando engravidar isso passa". Infelizmente a sociedade não está consciencializada deste problema. Mas temos que admitir que estes comentários são, na sua maioria, fruto de muita ignorância, indelicadeza e preconceito à mistura.
Com isto, consegui reunir numa lista alguns comentários típicos sobre o assunto, alguns que tive a infelicidade de ouvir, outros, que colegas de guerra partilharam comigo.
1 - Porque não adotas? Há muitas crianças abandonadas à espera de uma família.
Gente, acham mesmo que estão a dar uma grande novidade como se fosse uma solução eficaz?
Sim, a adoção pode ser uma alternativa. Mas por favor, não dêem esta sugestão como se fosse a decisão mais fácil do mundo porque não é. Não falem da adoção como se fosse fácil abdicar de um filho biológico. Não falem de adoção como se fosse fácil abdicar de todo o processo de gravidez! E por último, não falem de adoção como se fosse algo simples e rápido como se se tratasse de ir a uma loja comprar um cachorrinho, em que escolhemos o mais giro e fofo, pagamos e trazemos para casa. Não é assim que funciona! Antes disso, o casal provavelmente quererá esgotar todos os recursos possíveis para ter um filho biológico. Caso não aconteça, aí sim, poderá ponderar a adoção, mas antes precisa fazer o luto da situação. Além disso, o processo de adoção é longo, podendo demorar vários anos, e emocionalmente desgastante.
Não é bem verdade quando se diz por aí que há muitas crianças abandonadas à espera de uma família. Há sim muitas crianças institucionalizadas, mas aptas para adoção não há assim tantas.
Obviamente que nem todos vêem a adoção da mesma maneira. Há casais que só recorrem à mesma em último recurso, outros preferem esta opção em vez dos tratamentos de PMA, outros querem adotar independentemente de terem ou não filhos biológicos e outros não querem adotar, seja qual for a circunstância. De qualquer maneira, respeitem o casal e não sugiram a adoção, como se fosse algo simples e banal, quando o casal tenta desesperadamente ter um filho biológico.
2 - Isso é da ansiedade. Basta relaxar e vais ver que engravidas logo.
A sério? Depois de tantos médicos e exames vocês, espertinhos, descobriram a causa! A ansiedade! Oh gente, pelamordedeus! Informem-se antes de fazerem este tipo de comentários. A ansiedade pode ser algo bem chato e pode causar alguns sintomas físicos, quando ultrapassa a ansiedade normal e se torna patológica. Mas não causa infertilidade. Por favor, não digam a um casal com um diagnóstico de endometriose, um diagnóstico de azoospermia, um diagnóstico de Síndrome do Ovário Poliquístico ou um diagnóstico de Falência Ovárica Precoce que o problema deles é a ansiedade! Se assim fosse não seriam necessários procedimentos caros e complexos, bastando apenas um simples e barato ansiolítico.
3 - Vão de férias que quando chegares cá já estás grávida.
Aaaiiii... quem me dera que isto fosse verdade. Em vez de gastar uns 4 ou 5 mil euros num tratamento de PMA, eu ía adorar pegar nesse dinheiro e ir antes a uma agência de viagens comprar um pacote Especial Fertilidade - All Inclusive nas ilhas Maldivas! Quem é que precisa de auto-injetar hormonas artificiais, ecografias e fertilizações in vitro quando pode ir de férias para um local exótico?
4 - Se não consegues engravidar é porque Deus não quer.
Confesso que esta é das que mais me irrita e entristece. E talvez aquela que mais revela a ignorância humana! Obrigadinha por acharem que Deus nos considera de tal maneira horríveis que não quer que sejamos mães. Mas então e aqueles casos, de mulheres que engravidam e fazem IVG só porque sim? E aquelas que têm os filhos e os maltratam, matam e abandonam? Deus enganou-se no ventre?
5 - Eu faço um bebé a mais e dou-te.
Até parece que estão a falar de um cabo de cebolas que têm a mais e que podem dispensar. Céus! Agradeço a grandiosa generosidade mas dispenso. Caso não tenhas reparado, eu não quero um filho teu, quero um filho meu e do meu marido.
6 - Deixa lá. Há coisas bem piores na vida.
Para ti, talvez. Mas para mim, que a única coisa que sempre quis na vida foi ser mãe, não há nada, repito NADA, pior! Se não tenho a única coisa que sempre quis, o que pode haver de pior? Para alguém que sempre sonhou ser um jogador de futebol de sucesso e desde pequeno lutou e fez por isso, não deve haver nada pior do que ter uma grave rotura de ligamentos ou outra lesão que o impeça de jogar futebol.
E não sejam baixos ao ponto de dizer: "podia ser pior, podias ter um cancro!". Sim? Também dizem a alguém que acabou de amputar uma perna "deixa lá, podia ser pior. Podias ter de amputar as duas." ... o problema é que eu sei que há gente estúpida o suficiente para o dizer...
7 - Não sabes a sorte que tens. Podes gozar a vida à vontade. Se eu sabia não os tinha tido.
E vem esta gente falar de boca cheia! Haja paciência... Sorte? Por desejar muito um filho e não poder? Por ter que fazer tratamentos invasivos? Por ter de abdicar de muitas coisas para poder pagar um tratamento? Se isso é sorte não quero imaginar o que é o azar! Então quando a causa é uma doença como endometriose, este comentário ainda se torna mais parvo e infeliz. Enfim...
8 - Tens a certeza que queres ter filhos? Olha que dão muito trabalho e muita despesa.
Não me digam! A sério que dão trabalho e despesa? Não fazia ideia! Perguntar a uma pessoa que já fez uma série de procedimentos chatos e dolorosos se tem a certeza que quer ter filhos é um bocado mau, não? Quanto à despesa, essa até dá para rir. Querem mesmo debater o preço das fraldas com alguém que já gastou milhares de euros com um filho que ainda nem existe?
9 - Mas vocês fazem sexo?
Eh pá... Esta é tão estúpida mas tão estúpida que eu acho que nem vale a pena comentar. À frente...
10 - Vais querer um filho feito em laboratório? A criança não pode nascer com problemas? E vai ser parecido com quem?
Ainda há quem ache que os bebés concebidos com ajuda da medicina são inventados em laboratório assim do nada. Lol! Não sei qual é a ideia que as pessoas têm sobre a conceção mas os bebés concebidos com ajuda da medicina de reprodução, tal como os bebés concebidos de forma natural, são fruto da união de um óvulo e de um espermatozóide. Ok? E, em ambos os casos, serão parecidos com a mãe e/ou pai, eventualmente com avós e tios. Quanto a possíveis problemas que a criança possa vir a ter, são exatamente os mesmos que uma criança concebida de forma natural. Isso pode acontecer e ninguém pode prever.
Fica aqui o apelo aos saudáveis/férteis: Não façam comentários infelizes nem perguntas indelicadas. Não sejam inconvenientes! Respeitem as pessoas que passam por esta situação e dêem-se ao respeito! Não sabem se um dia, vocês próprios ou os vossos filhos, também poderão vir a passar por uma situação idêntica.
Aos que estão na mesma situação que eu, lembrem-se: não são os únicos que lidam com estes comentários chatos e embaraçosos.
sábado, 26 de março de 2016
Again!
Passaram três meses depois da laparoscopia e terminei o decapeptyl*. Estava pronta para iniciar os treinos, desta vez limpinha da doença! 😃
Entretanto, eu e o namorado decidimos oficializar a nossa união 😍 Casamos, fomos de lua de mel e foi maravilhoso! ❤ Cabo Verde, mais propriamente Ilha do Sal, foi o destino. Muito sol, um mar azul turqueza, muita música e comida deliciosa. TOP! 👌
4 meses de treinos e o milagre da vida simplesmente não acontece.
Marco consulta com uma GO que faz parte da equipa de PMA do CHAA. Faz-me ecografia e diz-me que tenho um endometrioma. Aconselha-me a fazer fiv o mais rapidamente possível, manda-me fazer a análise anti-mulleriana para avaliar a minha reserva ovárica e receita-me visanne para ver se conseguiamos limpar, ou pelo menos diminuir, aquele maldito até à fiv. Saí da consulta completamente arrasada.
A demoníaca endometriose não me larga e quer destruir a minha vida. 😔
Anti-mulleriana
1.67 ng/mL * 11,94 pmol/L
Inferior a 0,16 ng/ml: MUITO BAIXA RESPOSTA. Espera-se 1 ou 2 ovócitos à indução;
Entre 0,16 e 1,0 ng/ml: BAIXA RESPOSTA. Espera-se entre 2 a 5 ovócitos à indução;
Entre 1,0 e 2,0 ng/ml: MÉDIA RESPOSTA. Espera-se mais de 5 ovócitos à indução;
Entre 2,0 e 4,0 ng/ml: ALTA RESPOSTA. Espera-se mais de 10 ovócitos à indução;
Superior a 4,0 ng/ml: MUITO ALTA RESPOSTA. Espera-se cerca de 20 ovócitos ou mais à indução. Risco elevado de Síndrome do Hiperestimulação Ovárica.
Parece que tenho uma anti-mulleriana razoável.
Entretanto, eu e o namorado decidimos oficializar a nossa união 😍 Casamos, fomos de lua de mel e foi maravilhoso! ❤ Cabo Verde, mais propriamente Ilha do Sal, foi o destino. Muito sol, um mar azul turqueza, muita música e comida deliciosa. TOP! 👌
4 meses de treinos e o milagre da vida simplesmente não acontece.
Marco consulta com uma GO que faz parte da equipa de PMA do CHAA. Faz-me ecografia e diz-me que tenho um endometrioma. Aconselha-me a fazer fiv o mais rapidamente possível, manda-me fazer a análise anti-mulleriana para avaliar a minha reserva ovárica e receita-me visanne para ver se conseguiamos limpar, ou pelo menos diminuir, aquele maldito até à fiv. Saí da consulta completamente arrasada.
A demoníaca endometriose não me larga e quer destruir a minha vida. 😔
Anti-mulleriana
1.67 ng/mL * 11,94 pmol/L
Inferior a 0,16 ng/ml: MUITO BAIXA RESPOSTA. Espera-se 1 ou 2 ovócitos à indução;
Entre 0,16 e 1,0 ng/ml: BAIXA RESPOSTA. Espera-se entre 2 a 5 ovócitos à indução;
Entre 1,0 e 2,0 ng/ml: MÉDIA RESPOSTA. Espera-se mais de 5 ovócitos à indução;
Entre 2,0 e 4,0 ng/ml: ALTA RESPOSTA. Espera-se mais de 10 ovócitos à indução;
Superior a 4,0 ng/ml: MUITO ALTA RESPOSTA. Espera-se cerca de 20 ovócitos ou mais à indução. Risco elevado de Síndrome do Hiperestimulação Ovárica.
Parece que tenho uma anti-mulleriana razoável.
sexta-feira, 25 de março de 2016
O Exterminador Implacável
Na consulta, o médico, famoso por exterminar endometrioses, ouve-me atentamente enquanto aponta todo o meu historial. Faz-me uma ecografia e um toque. Viu mais que um quisto sugestivo de endometriose e sentiu um nódulo no espaço reto-vaginal. Explicou-me como se comporta a doença, contou-me alguns casos que teve, como por exemplo, o caso de uma mulher com endometriose avançada que ficou com um rim "estragado" por causa da doença, outro de uma mulher que devido ao tumor reto-vaginal ficou com colostomia (aquele saquinho na barriga para as fezes). MEDO! Perguntei logo em que estado da doença eu estava, ao que ele respondeu que não sabia. Teria que fazer uma ressonância magnética e análises aos marcadores tumorais CA-125 e CEA. Disse-me que depois desses resultados é que falariamos melhor. Chamou a assistente para me dar as indicações necessárias para fazer a ressonância naquele mesmo dia, com um técnico em particular.
Já com os resultados prontos fui a uma nova consulta.
CA-125 elevado que sugere que a doença está ativa.
CEA normal
Ressonância magnética revela endometriomas nos dois ovários, tumor no septo reto-vaginal, vários focos de endometriose espalhados no peritoneo e intestino.
"Pois, isto está feiito está. Claro que tem muitas dores. E da maneira que isto está é praticamente impossível engravidar pela via normal, só se for com fiv mas mesmo assim é mais difícil".
"E agora?", perguntei, apavorada com a resposta que podia vir dali.
"Agora isto só lá vai com cirurgia."
"Cirurgia? Mas é uma cirurgia simples... não é?", perguntei.
"Isto de simples não tem nada. É cirurgia para umas 4 ou 5 horas. É delicada porque vou ter que remover os focos quase que milímetro a milímetro. E no caso do nódulo no septo reto-vaginal há sempre risco de ficar com colostomia. Mas se não for retirado também há risco de ele aumentar, perfurar o intestino e ficar com colostomia na mesma. A vantagem é a recuperação, que por ser por laparoscopia é mais fácil e mais rápida. Mas é mais difícil para mim" e riu-se. Que piada...
Gente... não queiram saber o pânico que senti. Não queria acreditar que aquilo me estava a acontecer!
Marquei a porra da cirurgia. O Dr. deu-me as recomendações todas. Mandou fazer uma dieta específica para fazer 1 semana antes, um medicamento para limpar o intestino e recomendou jejum 24 horas antes. Tudo para minimizar ao máximo o risco de colostomia.
Chegou o dia. Não me saía da cabeça a imagem de acordar com um saco na barriga. Não estava preparada para aquilo!
No bloco operatório, o aparato normal. Anestesista, enfermeiros, instrumentista, o Dr. Alves e o médico assistente. De uma coisa eu tinha certeza. Depois de sair dali a minha vida ia mudar! Se para melhor ou para pior, isso é que eu não sabia.
"Ora vamos lá dar cabo dela!", diz o Dr. António Alves já equipado, cheio de determinação. Espero que "ela" seja a endometriose! 😓
"Vamos dormir um soninho?", disse a anestesista toda simpática. É agora! "Relaxxeeeee..."
Ouvi o meu nome ao longe e senti qualquer coisa bater-me na cara. Abri os olhos, e depois daqueles segundos em que tento perceber onde estou e o que aconteceu, vou logo com as duas mãos à barriga. Nada de saco! Não estava colostomizada! Que alívio tão grande!
O Dr. Alves diz que correu tudo bem, conseguiu remover praticamente todos os focos e que o meu sistema reprodutor ficou preservado. Disse também que as trompas "estão boas e recomendam-se". Concluindo, depois de recuperar e de terminar o medicamento que me ia mandar tomar durante 3 meses, tinha condições para engravidar. Fiquei tão contente! Não podia ter corrido melhor! Finalmente boas notícias! Uhuhhh 😃😃😃
5 dias depois estava novamente em casa. Limpa da doença, graças ao meu salvador, António Alves, que exterminou a maldita doença.
Já com os resultados prontos fui a uma nova consulta.
CA-125 elevado que sugere que a doença está ativa.
CEA normal
Ressonância magnética revela endometriomas nos dois ovários, tumor no septo reto-vaginal, vários focos de endometriose espalhados no peritoneo e intestino.
"Pois, isto está feiito está. Claro que tem muitas dores. E da maneira que isto está é praticamente impossível engravidar pela via normal, só se for com fiv mas mesmo assim é mais difícil".
"E agora?", perguntei, apavorada com a resposta que podia vir dali.
"Agora isto só lá vai com cirurgia."
"Cirurgia? Mas é uma cirurgia simples... não é?", perguntei.
"Isto de simples não tem nada. É cirurgia para umas 4 ou 5 horas. É delicada porque vou ter que remover os focos quase que milímetro a milímetro. E no caso do nódulo no septo reto-vaginal há sempre risco de ficar com colostomia. Mas se não for retirado também há risco de ele aumentar, perfurar o intestino e ficar com colostomia na mesma. A vantagem é a recuperação, que por ser por laparoscopia é mais fácil e mais rápida. Mas é mais difícil para mim" e riu-se. Que piada...
Gente... não queiram saber o pânico que senti. Não queria acreditar que aquilo me estava a acontecer!
Marquei a porra da cirurgia. O Dr. deu-me as recomendações todas. Mandou fazer uma dieta específica para fazer 1 semana antes, um medicamento para limpar o intestino e recomendou jejum 24 horas antes. Tudo para minimizar ao máximo o risco de colostomia.
Chegou o dia. Não me saía da cabeça a imagem de acordar com um saco na barriga. Não estava preparada para aquilo!
No bloco operatório, o aparato normal. Anestesista, enfermeiros, instrumentista, o Dr. Alves e o médico assistente. De uma coisa eu tinha certeza. Depois de sair dali a minha vida ia mudar! Se para melhor ou para pior, isso é que eu não sabia.
"Ora vamos lá dar cabo dela!", diz o Dr. António Alves já equipado, cheio de determinação. Espero que "ela" seja a endometriose! 😓
"Vamos dormir um soninho?", disse a anestesista toda simpática. É agora! "Relaxxeeeee..."
Ouvi o meu nome ao longe e senti qualquer coisa bater-me na cara. Abri os olhos, e depois daqueles segundos em que tento perceber onde estou e o que aconteceu, vou logo com as duas mãos à barriga. Nada de saco! Não estava colostomizada! Que alívio tão grande!
O Dr. Alves diz que correu tudo bem, conseguiu remover praticamente todos os focos e que o meu sistema reprodutor ficou preservado. Disse também que as trompas "estão boas e recomendam-se". Concluindo, depois de recuperar e de terminar o medicamento que me ia mandar tomar durante 3 meses, tinha condições para engravidar. Fiquei tão contente! Não podia ter corrido melhor! Finalmente boas notícias! Uhuhhh 😃😃😃
5 dias depois estava novamente em casa. Limpa da doença, graças ao meu salvador, António Alves, que exterminou a maldita doença.
Alves 1 - 0 Endometriose
Alves, the Endominator!
Afinal não sou um Alien
Fiv foi o conselho que as médicas me deram. Mas eu sabia que uma fiv era um tratamento muito caro, entre os 3 e os 4 mil euros. Isto sem contar com os exames necessários para o procedimento e os medicamentos. Os seguros de saúde não comparticipam qualquer tratamento de fertilidade nem exames/análises relacionados com isso. Não tinha como pagar um tratamento destes. Só restou uma opção. Pedir ao médico de família que me encaminhasse para as consultas de PMA através do SNS.
Comentários do médico de família
"E para que queres engravidar já? És muito nova!" Oh pá este gajo tira-me do sério! 😠, "Um ano e meio? Isso é pouco tempo. Ainda és nova." Como??? Pouco tempo?! É suposto os casais andarem 4 ou 5 anos a tentar? "Doutor, mas eu tenho endometriose e consultei alguns especialistas que me disseram que eu tenho que fazer uma fiv." Ficou a olhar para mim "..." Silêncio total. Parecia que eu estava a ver estampado na cara dele "Tem o quê?? Endoquantas?" 😒
Sem mais palpites desnecessários lá fez o "favor" de nos encaminhar para o CHAA.
Informei-me sobre as listas de espera e soube que para a primeira consulta demorava cerca de 3 meses mas como ia apanhar o período das festas natalícias poderia demorar mais. Depois para a segunda consulta 1 ou 2 meses e para fiv/icsi mais 7 meses. Ou seja, a correr bem, dali a 1 ano fariamos a fiv. UM ANO?? 😢
Como é que eu ia conseguir esperar um ano? E as dores que estão cada vez pior? O que faço com elas? Que desespero!
Pesquisei na net e... olha! Não é que existe uma Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose chamada Mulherendo? E não é que existem pessoas iguais a mim?
Li relatos como "anos de dor intensa sem diagnóstico", "8 anos para o diagnóstico", "10 médicos até ao diagnóstico", "engravide que isso passa", "tomo morfina para as dores".
Li também alertas como "endometriose é uma doença de difícil diagnóstico", "endometriose é uma doença grave", "endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva", "endometriose pode causar infertilidade", "endometriose tem tratamento", "nem todos os médicos ginecologistas são especialistas em endometriose", "a endometriose tem de ser tratada por um especialista com experiência na doença", "a endometriose pode atingir todos os órgãos".
Nem queria acreditar! Afinal eu não era um Alien! Afinal haviam mais como eu!
Vi que um dos médicos recomendados pela associação era um tal de António Alves que dá consultas no Hospital da Arrábida. Apressei-me a marcar consulta!
Comentários do médico de família
"E para que queres engravidar já? És muito nova!" Oh pá este gajo tira-me do sério! 😠, "Um ano e meio? Isso é pouco tempo. Ainda és nova." Como??? Pouco tempo?! É suposto os casais andarem 4 ou 5 anos a tentar? "Doutor, mas eu tenho endometriose e consultei alguns especialistas que me disseram que eu tenho que fazer uma fiv." Ficou a olhar para mim "..." Silêncio total. Parecia que eu estava a ver estampado na cara dele "Tem o quê?? Endoquantas?" 😒
Sem mais palpites desnecessários lá fez o "favor" de nos encaminhar para o CHAA.
Informei-me sobre as listas de espera e soube que para a primeira consulta demorava cerca de 3 meses mas como ia apanhar o período das festas natalícias poderia demorar mais. Depois para a segunda consulta 1 ou 2 meses e para fiv/icsi mais 7 meses. Ou seja, a correr bem, dali a 1 ano fariamos a fiv. UM ANO?? 😢
Como é que eu ia conseguir esperar um ano? E as dores que estão cada vez pior? O que faço com elas? Que desespero!
Pesquisei na net e... olha! Não é que existe uma Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose chamada Mulherendo? E não é que existem pessoas iguais a mim?
Li relatos como "anos de dor intensa sem diagnóstico", "8 anos para o diagnóstico", "10 médicos até ao diagnóstico", "engravide que isso passa", "tomo morfina para as dores".
Li também alertas como "endometriose é uma doença de difícil diagnóstico", "endometriose é uma doença grave", "endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva", "endometriose pode causar infertilidade", "endometriose tem tratamento", "nem todos os médicos ginecologistas são especialistas em endometriose", "a endometriose tem de ser tratada por um especialista com experiência na doença", "a endometriose pode atingir todos os órgãos".
Nem queria acreditar! Afinal eu não era um Alien! Afinal haviam mais como eu!
Vi que um dos médicos recomendados pela associação era um tal de António Alves que dá consultas no Hospital da Arrábida. Apressei-me a marcar consulta!
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Endometriose: a doença fantasma
Estava na fossa! Sentia-me um farrapo sujo, feio e velho, daqueles que não servem para nada. "Porquê a mim?"
Consultei mais 2 médicas, já que o anterior disse que não podia fazer mais nada por mim. Quanto à dor disse que "faz parte". E pronto... fiquei assim ao abandono... sem saber se realmente tinha a tal endometriose ou não, com dores cada vez mais fortes e sem saber o que fazer.
Das duas médicas que consultei a seguir, uma era especialista em infertilidade e a outra em doenças do sistema reprodutor feminino, entre as quais, endometriose.
Consulta com a Dra. I. especialista em infertilidade
Conto-lhe que tento engravidar há um ano e meio, que tenho dores muito fortes, da suspeita de endometriose por parte do médico anterior e dos tratamentos que fiz.
Responde que não sabe o que pode fazer por mim, visto que já fiz induções de ovulação com coito programado. Diz que talvez esteja na hora de fazer uma Fiv, e acrescenta "mas também ainda é nova".
Quanto às dores e à hipotética endometriose, "Pois... a endometriose é chatinha é. Mas quanto a isso não há grande coisa a fazer".
Nem se dá ao trabalho de me observar, nem me faz ecografia (mesmo sabendo da suspeita de endometriose). Simplesmente me ouviu e deu o conselho dela.
Consulta com a Dra. M. especialista em doenças do sistema reprodutor feminino
Conto a mesma história.
Faz-me uma ecografia e observa-me. "Não vejo aqui quisto nenhum. O que eu vejo é que os ovários estão muito juntos ao útero." Hmm? E não é suposto estar??
"Ora bem... endometriose... não sei, não vi nada que sugerisse endometriose mas isso não quer dizer nada. Pode ter, pode não ter. Eu diria 50% de hipóteses de ter." A sério? Grande conclusão! Ou é boi ou vaca!
Ok. Pergunto que exames poderei fazer para saber se realmente tenho endometriose ou não, o que se pode fazer para combater ou curar.
Resposta: "Não há nada a fazer minha querida. É chato eu sei. O melhor é fazer uma fiv e quando engravidar isso melhora bastante. Mas de fiv's não percebo nada. Tem que ir a uma clínica especializada" Percebe de quê afinal??
Mas afinal tenho ou não essa porcaria? F***-s*! Ninguém sabe de nada, não há nada a fazer! A endometriose é uma doença fantasma? Uma espécie de mito que ninguém vê, que ninguém pode combater??
E a dor? Só me dizem que é normal e que tenho que aguentar. Será que todas as mulheres têm e eu é que sou muito mariquinhas? Ou será que ando tão abalada com isto que estou a somatizar? Uma depressão mascarada, talvez.
Aff... exausta. Sinto-me uma alienígena. Os humanos já não sabem o que fazer comigo.
Consultei mais 2 médicas, já que o anterior disse que não podia fazer mais nada por mim. Quanto à dor disse que "faz parte". E pronto... fiquei assim ao abandono... sem saber se realmente tinha a tal endometriose ou não, com dores cada vez mais fortes e sem saber o que fazer.
Das duas médicas que consultei a seguir, uma era especialista em infertilidade e a outra em doenças do sistema reprodutor feminino, entre as quais, endometriose.
Consulta com a Dra. I. especialista em infertilidade
Conto-lhe que tento engravidar há um ano e meio, que tenho dores muito fortes, da suspeita de endometriose por parte do médico anterior e dos tratamentos que fiz.
Responde que não sabe o que pode fazer por mim, visto que já fiz induções de ovulação com coito programado. Diz que talvez esteja na hora de fazer uma Fiv, e acrescenta "mas também ainda é nova".
Quanto às dores e à hipotética endometriose, "Pois... a endometriose é chatinha é. Mas quanto a isso não há grande coisa a fazer".
Nem se dá ao trabalho de me observar, nem me faz ecografia (mesmo sabendo da suspeita de endometriose). Simplesmente me ouviu e deu o conselho dela.
Consulta com a Dra. M. especialista em doenças do sistema reprodutor feminino
Conto a mesma história.
Faz-me uma ecografia e observa-me. "Não vejo aqui quisto nenhum. O que eu vejo é que os ovários estão muito juntos ao útero." Hmm? E não é suposto estar??
"Ora bem... endometriose... não sei, não vi nada que sugerisse endometriose mas isso não quer dizer nada. Pode ter, pode não ter. Eu diria 50% de hipóteses de ter." A sério? Grande conclusão! Ou é boi ou vaca!
Ok. Pergunto que exames poderei fazer para saber se realmente tenho endometriose ou não, o que se pode fazer para combater ou curar.
Resposta: "Não há nada a fazer minha querida. É chato eu sei. O melhor é fazer uma fiv e quando engravidar isso melhora bastante. Mas de fiv's não percebo nada. Tem que ir a uma clínica especializada" Percebe de quê afinal??
Mas afinal tenho ou não essa porcaria? F***-s*! Ninguém sabe de nada, não há nada a fazer! A endometriose é uma doença fantasma? Uma espécie de mito que ninguém vê, que ninguém pode combater??
E a dor? Só me dizem que é normal e que tenho que aguentar. Será que todas as mulheres têm e eu é que sou muito mariquinhas? Ou será que ando tão abalada com isto que estou a somatizar? Uma depressão mascarada, talvez.
Aff... exausta. Sinto-me uma alienígena. Os humanos já não sabem o que fazer comigo.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Em busca da causa
Como já tinha passado um ano e a minha GO não parecia muito interessada em investigar a causa por ser muito nova e por achar que estava tudo bem, decidi mudar de médico.
Consultei um GO muito conhecido e famoso por ser um profissional exemplar. Quando lhe conto o percurso até à data, lá vem a conversa "Caaaalma... és muito nova. Tens tempo. Sabes que a ansiedade não ajuda nada". Eh pá, mas será que eles não se calam com a merd@ da ansiedade e da idade? Nervos! 😠
Lá me faz ecografia e... "Hmmm... tens aqui um quisto no ovário". Oh Céus! "Tens dores menstruais fortes?" Sim, muitas! "Pois. Pelo aspeto do quisto e pelos teus sintomas parece que se trata de endometriose". Hmm? Endo quê? Que é isso? "Mas não te preocupes, não é nada de grave, é só uma doença chata. Mas nada por aí além". Ok... 😐
Depois de análises feitas, lá constatou que não estava a ovular e que tinha a progesterona baixa. Receitou-me um indutor para tomar durante 3 ciclos ou até engravidar.
1 comprido de dufine do 5° ao 9° dia
1 comprimido de duphaston do 16° ao 25° dia
Afinal não estava tudo bem!! Mas ok. Saí da lá confiante que ia engravidar com esta medicação. Ele próprio me transmitiu essa confiança.
Mais uma vez enganei-me.
Nova consulta, novos exames e novo plano. Prescreveu espermograma para o namorado e histerossalpingografia (que avalia o estado das trompas de falópio) para mim. Se os resultados estivessem normais começariamos um tratamento de coito programado por dois ciclos. Foi o que aconteceu.
Menopur 600 UI
Pregnyl 10000 UI
Duphaston
Deveria começar o menopur no 2° dia do ciclo com uma dose de 50 UI (através de injeções subcutâneas (na barriga), fazer ecografias de monitorização para acompanhar o crescimento dos folículos, e assim que um ou dois folículos atingissem o tamanho mínimo de 17mm aplicaria o pregnyl numa injeção via intramuscular (no rabo). Esta injeção obriga a que os folículos libertem o óvulo 36 horas após a sua administração. Era nessa hora que eu tinha obrigatoriamente que atacar o namorado. A seguir tinha que tomar 2 comprimidos de duphaston por dia durante 10 dias.
Espera aí... picas? Na barriga? A mim própria?? PÂNICO!
Sabia que não podia contar com o namorado para isto, sendo ele mariquinhas com as agulhas como é, nem sequer queria ver. Socorro!
Sendo por uma boa causa, arregacei as mangas, enchi-me de coragem e tauuu! Espetei a agulha e injetei o medicamento. "Olha! Isto não é assim tão mau. Não doi nada." Pronto, a partir daí foi na boinha mesmo.
As ecografias revelavam sempre mais que um folículo dominante, respondia muito bem à medicação e tudo corria bem. "É agora, de certeza!" Mais que um óvulo libertado, forrobodó na hora H, não havia como dar errado. "Até vais é engravidar de gémeos" dizia o médico todo confiante. Uau! Gémeos! Que loucura! E lá estava eu a imaginar as duas risquinhas no teste de gravidez, a planear uma surpresa para contar ao namorado, a barriga a crescer, o bebé (ou os bebés! Oh meu deus, que alegria!) a mexer, as roupinhas, etc., etc. De repente os meus lindos sonhos são interrompidos quando o Hellboy bate à porta. Gente... não imaginam a angústia. E a dor! Talvez por estar sempre a falar mal dele, o Hellboy decidiu vingar-se de mim e esfaquear-me por dentro. Já não chegava aquela tristeza e aquela angústia, tinha também que vir aquela dor excruciante que me obrigava a andar toda encolhida e dobrada e me atirava para a cama.
Queixei-me das dores ao médico e ele desvalorizou "pois é normal, tens que aguentar". Normal? É suposto ter que se aguentar dores assim? Dores que não passam nem com tramadol (sim! Nesta fase eu já estava a tomar Tramal 100).
Cheguei a ir às urgências do hospital porque não estava a aguentar as dores e a barriga parecia que ia explodir de tão inchada que estava. Expliquei que estava menstruada e falei da suspeita de endometriose. "Ah mas isso não tem nada a ver com menstruação. Na, na senhor". 😕
Análises nomais, raio x abdominal normal. Diagnóstico: Gases!
Saí de lá com as mesmas dores, com menos 30 e tal euros na carteira e com uma receita de buscopan. "Buscopan?" Yes, buscopan. 😑
Consultei um GO muito conhecido e famoso por ser um profissional exemplar. Quando lhe conto o percurso até à data, lá vem a conversa "Caaaalma... és muito nova. Tens tempo. Sabes que a ansiedade não ajuda nada". Eh pá, mas será que eles não se calam com a merd@ da ansiedade e da idade? Nervos! 😠
Lá me faz ecografia e... "Hmmm... tens aqui um quisto no ovário". Oh Céus! "Tens dores menstruais fortes?" Sim, muitas! "Pois. Pelo aspeto do quisto e pelos teus sintomas parece que se trata de endometriose". Hmm? Endo quê? Que é isso? "Mas não te preocupes, não é nada de grave, é só uma doença chata. Mas nada por aí além". Ok... 😐
Depois de análises feitas, lá constatou que não estava a ovular e que tinha a progesterona baixa. Receitou-me um indutor para tomar durante 3 ciclos ou até engravidar.
1 comprido de dufine do 5° ao 9° dia
1 comprimido de duphaston do 16° ao 25° dia
Afinal não estava tudo bem!! Mas ok. Saí da lá confiante que ia engravidar com esta medicação. Ele próprio me transmitiu essa confiança.
Mais uma vez enganei-me.
Nova consulta, novos exames e novo plano. Prescreveu espermograma para o namorado e histerossalpingografia (que avalia o estado das trompas de falópio) para mim. Se os resultados estivessem normais começariamos um tratamento de coito programado por dois ciclos. Foi o que aconteceu.
Menopur 600 UI
Pregnyl 10000 UI
Duphaston
Deveria começar o menopur no 2° dia do ciclo com uma dose de 50 UI (através de injeções subcutâneas (na barriga), fazer ecografias de monitorização para acompanhar o crescimento dos folículos, e assim que um ou dois folículos atingissem o tamanho mínimo de 17mm aplicaria o pregnyl numa injeção via intramuscular (no rabo). Esta injeção obriga a que os folículos libertem o óvulo 36 horas após a sua administração. Era nessa hora que eu tinha obrigatoriamente que atacar o namorado. A seguir tinha que tomar 2 comprimidos de duphaston por dia durante 10 dias.
Espera aí... picas? Na barriga? A mim própria?? PÂNICO!
Sabia que não podia contar com o namorado para isto, sendo ele mariquinhas com as agulhas como é, nem sequer queria ver. Socorro!
Sendo por uma boa causa, arregacei as mangas, enchi-me de coragem e tauuu! Espetei a agulha e injetei o medicamento. "Olha! Isto não é assim tão mau. Não doi nada." Pronto, a partir daí foi na boinha mesmo.
As ecografias revelavam sempre mais que um folículo dominante, respondia muito bem à medicação e tudo corria bem. "É agora, de certeza!" Mais que um óvulo libertado, forrobodó na hora H, não havia como dar errado. "Até vais é engravidar de gémeos" dizia o médico todo confiante. Uau! Gémeos! Que loucura! E lá estava eu a imaginar as duas risquinhas no teste de gravidez, a planear uma surpresa para contar ao namorado, a barriga a crescer, o bebé (ou os bebés! Oh meu deus, que alegria!) a mexer, as roupinhas, etc., etc. De repente os meus lindos sonhos são interrompidos quando o Hellboy bate à porta. Gente... não imaginam a angústia. E a dor! Talvez por estar sempre a falar mal dele, o Hellboy decidiu vingar-se de mim e esfaquear-me por dentro. Já não chegava aquela tristeza e aquela angústia, tinha também que vir aquela dor excruciante que me obrigava a andar toda encolhida e dobrada e me atirava para a cama.
Queixei-me das dores ao médico e ele desvalorizou "pois é normal, tens que aguentar". Normal? É suposto ter que se aguentar dores assim? Dores que não passam nem com tramadol (sim! Nesta fase eu já estava a tomar Tramal 100).
Cheguei a ir às urgências do hospital porque não estava a aguentar as dores e a barriga parecia que ia explodir de tão inchada que estava. Expliquei que estava menstruada e falei da suspeita de endometriose. "Ah mas isso não tem nada a ver com menstruação. Na, na senhor". 😕
Análises nomais, raio x abdominal normal. Diagnóstico: Gases!
Saí de lá com as mesmas dores, com menos 30 e tal euros na carteira e com uma receita de buscopan. "Buscopan?" Yes, buscopan. 😑
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